Uma cidade maravilhosa e que ninguém imagina que estaria tão mudada, se comparada à década de 90 quando sofreu na guerra de separação da grande Servia. A chegada a cidade por terra por quem vem da Croácia ou mesmo de cidades menores como Mostar, é sensacional. O rio Neretva segue a rodovia quase ate a entrada da cidade, é lindo ver o rio cor esmeralda em meio as montanhas com uma vista incrível. Por todo o caminho pode-se ver diferentes e vários cemitérios, ora com a cruz ora com uma cruz sem as hastes, onde o primeiro faz referencia aos católicos e os outros dependendo de seu formato poderia ser ortodoxo, ou muçulmano. Parece loucura, mas são esses que compõem ainda mais o visual. A historia passa a fazer parte de cada minuto a partir de agora e mesmo com cemitérios na chegada, não se assuste já que hoje os bósnios convivem hiper bem com seu passado e cada buraco nas paredes faz com que não queiram passar por tudo outra vez.

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(Caminho para Sarajevo – Bosnia)

Fiquei em um hotel maravilhoso, Hotel Europe. Um hotel super bem localizado e muito central, lembro que cheguei a noite e meus passageiros perguntaram onde poderiam ir comer, disse que os levaria para conhecer os arredores. Isso era mais ou menos umas 7 da noite e o bairro turco fica na rua de trás e sempre cheia de bons restaurantes, lojas e pontos a serem visitados.

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(Um pouquinho do bairro turco)

Um dos mais importantes, virando a esquerda saindo do hotel, caminhando uns 20 metros e virando a direita está a esquina onde foi assassinado Francisco Ferdinand. Aqui nesse ponto começou a primeira guerra mundial. Aqui morreu o arquiduque e sua esposa grávida com um tiro no estomago. Francisco Ferdinand que era sobrinho de Francisco, Jose imperador Austro-Húngaro. Rússia tomou as dores de um lado, Alemanha do outro e assim estourou a guerra. Isso só prova o quanto esse povo passou por severas dificuldades e ainda estão firmes tentando sua reestruturação.

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 (Atravessando a ponte está a esquina mais famosa da cidade – morte de Francisco Ferdinand)

E aqui o túnel começou !! A liberdade tão sonhada e conquistada na década de noventa começou na casa de uma senhora que se arriscou para a construção de um túnel que ligava a cidade a parte de fora !! Uma cidade onde as montanhas tinham canhões e armas (snipers) apontando todo tempo sua fúria para cidadãos desarmados !! Após os impérios otomano, austro-húngaro, o entre guerras e a Iugoslávia, hoje um povo livre e que diferentemente de muitos lugares do mundo, esse povo que tem pelo menos três religiões fortes (muçulmana, ortodoxa é católica), vive em harmonia !!

Herança positiva de uma guerra sofrida !! A Sérvia detinha o poder e a Bósnia a cultura !! Sua biblioteca com 2 milhões de livros queimados é a prova de que não tinham força bélica contra uma servia tão poderosa !! Uma tradição forte no país é o café, e é reconfortante ver três amigos desfrutando de um mesmo prazer juntos. Três amigos de três religiões diferentes, conversando livres tomando um bom café Brasileiro !! Esse túnel tão cheio de vida e uma certa melancolia, nada traz de tristeza e sim uma visão bonita da historia. Fica a uns 30 minutos do Hotel Europa, e no meio de umas casinhas como um condomínio. Muito bem disfarçado, mostra a historia dessa senhora e toda sua coragem ante o inimigo.

Quer conhecer o túnel da vida ?

Um outro vídeo mostra sem grandes alardes como foi a guerra, a ideia aqui não é um filme de terror e sim contar a história de uma maneira branda. No vídeo não aparece ninguém morrendo ou sofrendo torturas. Vale muito a visita.

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(Túnel da Vida – Sarajevo – Bosnia)

Voltando ao centro, na rua atrás do hotel, tem uma rua onde não passam carros e onde se localizam a maioria dos pontos a serem visitados. No meio dessa rua, esta uma linha no chão onde se divide o lado oriental do lado ocidental da cidade. É incrível, de um lado ao fundo a mesquita, e do outro lado as igrejas católica e ortodoxa. Pra começar um bom passeio sempre gosto de começar, e claro se possível, pela biblioteca. Essa biblioteca com uma arquitetura única, em estilo islâmico, passou pelas guerras e depois de algumas intervenções se mantêm de pé.

Uma pena que o prédio de linhas amarelas e laranjas, tendo sofrido muito na década de 90 e perdido um volume de mais de 2 milhões de livros incluído raridades contadas sobre impérios próximos como eram o Austro-Húngaro e Otomano. Atrás desse magnífico prédio, estão as entradas para o cemitério do alto da cidade, que carros sofrem para subir e nem todo taxista aceita, nem ônibus sobem. Esse cemitério é indicado por algumas pessoas, e de verdade digo que não valeu meu esforço para chegar ao topo. La de cima pode-se ver a cidade com seus principais pontos, mas nesse caso pelo esforço… Não vale a subida. Esse não indico. A outra entrada um pouco mais ao lado da biblioteca, já em direção a esquina de Ferdinand, só que dessa vez vindo por dentro vamos passar por pontos interessantes.

— É interessante ressaltar que durante a guerra, as pessoas estudavam e festavam também. Meu guia local me contou que mesmo as festas aconteciam de maneira preservada, mas os sótãos das casas eram animadas, dentro do possível, naquele momento triste da história –.

O primeiro é a fonte de água turca, aqui todos costumam se encontrar. Um verdadeiro ponto de encontro, tanto para turistas como para os bósnios. Linda e bem central, vale marcar aqui e seguir para um bom passeio, ou almoço nos restaurantes ao seu redor.

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(Fonte de Água – ponto de encontro)

Daqui agora em direção a linha que corta a cidade, encontro a mesquita e como estou no bairro turco, nada mais justo que parar e ver como ela é, já que em sua área é possível entrar. Entrando e olhando para cima, vai encontrar de uma maneira ou de outra uma torre com um relógio, é muito interessante ver como funciona o relógio contando as horas para o por do sol. Isso mesmo por do sol, e não as horas como estamos acostumados, e mais legal para o pessoal do lado de cá da linha é que a partir do por do sol durante o Ramadan, acaba o jejum que dura todo o dia.

Passando pela linha, vamos de encontro da Catedral do Coração de Jesus construída no final do século XIX e maior catedral bósnia. Vale parar e entrar. Tenho sorte com passageiros que na maioria das vezes que passei por um monumento como estes, havia missa. Minhas passageiras adoram.

Um pouco mais a frente a esquerda esta a igreja ortodoxa, que assim como a católica é uma das maiores do país. Vale a pena entrar, só tem que tomar cuidado porque há vezes que cobram a entrada para turistas. E nessa brincadeira já esta outra vez na rua do hotel.

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 Entrar numa cidade como Sarajevo, sem saber muito o que esperar, é a melhor pedida. Estudar a cidade antes de ir é essencial. Chegar a cidade e ver a diferença gritante entre prédios modernos, prédios antigos, residências com inúmeras marcas de balas em toda sua estrutura é coisa de louco. O Hotel Europe, é um hotel que mescla a modernidade do sistema interno com a antiguidade e historia que a cidade pede. Um exemplo, é que Ferdinand estava a caminho do hotel para uma convenção. Uma cidade linda, um exemplo de reestruturação e uma miscelânea de culturas e religiões que foram obrigadas a se entenderem. O cerco que o sérvios fizeram sobre a cadeia de montanhas ao redor da cidade, trouxe essa paz a cidade. Onde antes a ideia era atacar sem dó, mesmo com croatas, bósnios e alguns sérvios, agora a palavra da vez é vida.

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Equipe Guias & Trilhas.

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