Bem pessoal no ultimo post sobre vida a bordo falamos sobre os benefícios de trabalhar a bordo, então agora falaremos dos contras dessa vida de tripulante.

Se pedir demissão ou for mandado embora as empresas se interligam e sabem os porquês da saída.

Maus tratos – nesse caso em especifico é bom ter sua integridade em primeiro lugar. Se você precisar desse dinheiro, sua família, coloque na balança. Não é normal, mas pode acontecer. O máximo que me aconteceu pela Royal foi uma gerente que não sabia da história e veio me descascando, porém quando tudo se esclareceu acabei promovido. Em uma outra situação um supervisor filipino que veio gritando comigo e chamei ele no canto e eu coloquei ele no lugar dele, pois não se grita com ninguém na frente dos outros, não é?

Pois bem, a última foi um hotel director que acreditou estar no seu direito e soltou as penas no meio do bar lotado porque não tinha a cerveja que ele queria, ao final levei o caso a Miami junto a algumas sugestões e acabei recebendo uma carta da empresa agradecendo e me garantindo mudanças, e de fato elas ocorreram principalmente com essa pessoa que esqueceu o que é ser um superior a bordo.

Qualidade de vida – longas horas – pouco tempo OFF – sem estabilidade aqui fora (depende de seu planejamento para o que fazer quando sair de lá) – não é todo mundo que consegue subir de cargo e isso pode demorar por isso é normal você ver supervisores e gerentes há mais de 15 anos na empresa. Claro que você pode conseguir, mas tenha em mente que também pode demorar e a vida aqui fora não para só porque está a bordo.

Trabalha-se muitas horas ao longo do dia e dependendo da sua posição o trabalho é de pé o que gera um desgaste maior. É normal ver os camareiros após alguns meses reclamando de muitas dores no corpo. O salário compensa é verdade, mas o corpo fica castigado.

Assim que você embarca os primeiros dias são mesclados entre trabalho, muitos treinos e muito variados, e muito pouco sono. Seu corpo acaba se acostumando, mas não se assuste se por acaso você vir alguém que acabou de entrar com as malas na saída após uma semana.

Meninas – acredito que o problema seja maior para vocês. No outro post comentei que ficamos muito carentes a bordo e isso não chega a ser um problema caso você consiga acesso a internet para manter sempre uma conexão bacana com a família e amigos. Como a maioria das pessoas a bordo já está a flor da pele com pressão de trabalho, cansaço e distancia de casa quando você aparece a sua imagem se torna um presunto igual desenho animado. Consegue imaginar o coyote vendo a presa em forma de presunto dos desenhos? É assim que você parece assim que entra pelo restaurante dos tripulantes. Em empresas como a Royal Caribbean os casos de harassment (assedio) são tratados com muita seriedade. Sempre fique de olhos abertos para saber até onde vai a liberdade do outro e a sua.

Um dos principais motivos da minha saída em 2013 foi o planejamento de vida que tinha. Minha ideia inicial era juntar dinheiro para começar minha vida acadêmica aqui fora e meus planos incluíam 2 anos a bordo. Acabei ficando 4 anos e adiei o início dos estudos em mais 3, mas voltei a estudar e hoje estou quase formado.

Conheci muita gente a bordo com canudos e certificados dos mais variados e buscavam a bordo uma compensação financeira que não encontravam aqui fora. A dica é entrar com um plano para quando sair, pois a pegadinha está exatamente ai!! Se não fizer um planejamento correto poderá apenas viver e perder seu tempo a bordo como escravo para passar as férias como rei vendo de forma imperativa a volta a bordo para repor o que foi gasto em 2 meses de férias.

Cuidado com as fugas de realidade !!!

Comentei no outro post também a realidade a bordo de quem precisa de uma válvula de escape. Bebida e cigarro são muito presentes na vida de quem trabalha embarcado, mas isso pode levar a demissões ou a coisas piores como drogas. Assim como aqui fora as drogas são presentes nos navios, apesar de serem proibidas e serem tomadas como graves caso o tripulante seja pego. Demissão certa, então fique esperto.

Vou contar um caso que aconteceu comigo, mas poderia contas mais 5 ou 6 que aconteceram nesses anos de crew member. Meu roommate fumava maconha e cigarro, até a parte dos cigarros eu sabia e nunca me incomodei porque também fumava então não incomodava em absolutamente nada. Mas um dia estava no bar da piscina trabalhando e um amigo liga dizendo que toda a gerencia do bar estava na porta da minha cabine com o pessoal da segurança.

Eles passavam com uma maquina em todas as portas detectando ou não a presença de drogas. E justamente na minha porta encontraram HEROÍNA !!!! Como assim? Volte correndo e para encurtar a historia, me chamaram para uma conversa junto com meu roommate e disseram que fariam exames de sangue e caso um de nós fosse pego os dois seriam mandados embora. Nossa gerente se apresentou e disse que poria a mão no fogo pela dupla e isso foi suficiente para que não fosse preciso fazer exames, e na volta para a cabine esse colega de quarto completamente fora de orbita acende o que? Um baseado!!!!!!!

Brigamos feio e mandei que ele procurasse outra cabine o mais rápido possível, e como eu era new hired, ou seja, acabo de chegar não sabia que podia delatar o coleguinha. De fato acharam algo na minha porta e até hoje me pergunto o que mais esse rapaz usava além de muito álcool e maconha.

segue link para trabalhar a bordo

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