E sigo subindo agora a um pouco mais de 1800 metros de altitude. Morelia é grande e conta com uma das maiores e mais antigas universidades do país fundada em 1540. Hoje a cidade é parte do patrimônio da humanidade pela UNESCO. A praça de armas com suas arvores verdinhas e baixinhas dão um toque todo especial a cidade, a catedral ao lado com seus quase 70 metros de altura começou sua construção no final do século XVII e acabou no meio do século XVIII (1660 – 1774). PINK CITY como é conhecida a cidade por ser toda trabalhada em “cantera rosa” (pedra típica da região), tem em seu histórico um aqueduto com seus arcos que não os da Lapa, mas tem 253 arcos que fazem dele assim como os da cidade do Rio de Janeiro um marco da cidade.

(Catedral de Morélia)

O lugar que mais me marcou sem duvida foi o Templo a Nossa Senhora de Guadalupe. Um lugar mágico com muitas cores vivas no trabalho das paredes misturando o estilo indígena com o europeu, apesar de do lado de fora ser impossível de se imaginar, pois do lado de fora a pintura é sombria, cinza parecendo que queria esconder toda exclusividade do interior do templo. As cores amarelas, laranja, rosa iluminam e clareiam o interior do templo. Suas cúpulas coloridas, suas pinturas nas paredes, a iluminação própria, fazem desse templo o top5 de todo o país. Lembrando que a Basílica de Guadalupe fica na Cidade do México, e há templos espalhados por todo o país.

(Templo a Nossa Senhora de Guadalupe)

Bem como já mencionei antes, estive por todo o interior do país no mês de novembro e foi bem durante as passeatas contra o desaparecimento dos 43 jovens. Tive que cortar estradas, encontrar atalhos, fugir mesmo do encontro, pois não sabia exatamente o que aconteceria. Um bom exemplo do que digo foi na Cidade do México, onde colocaram fogo na porta do palácio nacional.

(Família indo de encontro a passeata em Morélia, em frente a catedral)

Para chegar a Morelia não foi diferente e assim que chegamos já tivemos que cortar a cidade no meio e parar nosso ônibus em frente à catedral e descer com pressa. Assim que o ônibus saiu entramos nos portões da catedral e quando entramos pelas portas escutamos uma barulhada, um bate-bate, tambores e cornetas. Ali vinham os manifestantes com seus cartazes e batuques, gritando palavras de ordem e impedindo que o trânsito andasse. Nesse dia, foi o único dia que tive essa experiência. Não foi nada traumática e eles passaram rápido, mas todos nas ruas ficavam aflitos com medo de uma nova depredação. Outro ocorrido foi na saída da cidade, mas não cheguei a cogitar a hipótese de mencioná-la. Os pedágios estavam “fechados”, e no lugar dos cobradores tinham meninos e meninas arrecadando dinheiro para manter a manifestação. Nada que pudesse estragar meu passeio, na verdade foi mais uma cereja no bolo, já que pudemos de alguma maneira vivenciar o dia a dia do povo, mesmo que de uma maneira meio ocasional e surpreendente.

Essa é uma cidade que vale a pena parar por uma noite, mas as cidades que passamos e as que estão por vir oferecem mais atrativos e sem dúvida nenhuma o mesmo tipo de beleza. Com certeza valeu por ter passado por essa cidade realmente rosa, e que se pode ver em muros e prédios antigos tanto no centro quanto fora das principais atrações.

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