Um país único, romântico e acima de tudo jovem. O que você acha se eu te disser que a Itália é mais jovem que o Brasil? Que sou no mínimo louco, que não fui a escola, que minha mãe rasgou dinheiro na minha juventude. Pois bem, a Itália unificou-se em 1861, ou seja, tem um pouco mais de 150 anos. Já teve status de gente grande durante a grande Roma, ou mesmo durante as invasões marítimas rumo ao leste europeu chegando à Grécia. Porem nesse caso a Itália era veneziana, uma cidade estado e não um país que como entendemos hoje.

A Itália gerou entre os séculos XIV e XVI uma grande reviravolta global, com o renascimento. Revigorou-se a cultura outrora deixada de lado, o que gerou uma redescoberta do mundo e do homem. Um mundo mudado mais humanista e empirista, agora já capitalista e não mais feudal. Um mundo novo e que não deixou para trás seu lado romântico e de clima agradável. Em torno dessa pintura entre outras centenas de obras de arte que encontraremos no país, esta a cidade sobre as águas e que por pouco não se torna um labirinto. A cidade se chama Veneza, e guarda consigo segredos e lugares inacreditáveis.

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(Combinação perfeita entre cultura e gastronomia)

Lembro da primeira vez que vi Veneza de cima, foi incrível ver como foi possível construir uma cidade sobre águas. Parecem e são verdadeiras ilhotas espalhadas por um território que parece ilógico. Só de pensar que a cidade surgiu após a queda de Roma e que alguns séculos depois, mesmo sendo invadida com grande freqüência, se tornou uma das maiores forças da Europa. Aqueles que fugiam de tribos bárbaras foram construindo essa grande força e não imaginavam no que viria a se tornar o que hoje conhecemos como Veneza.

Como disse na primeira página, visitei Veneza de barco e pude passear bastante, seguindo algumas regras. Uma delas era não beber fora do navio. Regra importante, mas não fazia muito sentido pra mim beber já que nunca fui de beber mesmo. Isso não impedia amigos de tomar uma cervejinha local como a Peroni Azzura, apesar de o drink mais tomado era o Aperol e tinha muitas variações.

E a partir do momento que começar a caminhar pela cidade, com cerveja ou sem, o importante é se perder na cidade. Se perder no sentido de caminhar e desfrutar das milhares de ruas com suas milhares de pontes, e que a cada ponte te dará vontade parar e tirar uma foto sem perceber que já tirou mil outras ao longo do caminho. Realmente o caminho oferece esse tipo de paisagem e se der sorte, terá uma das gôndolas passando bem pertinho de você. E é ai que começa todo o romantismo da cidade.

 

Eu mesmo me perdi muito no começo, até começar a namorar uma tripulante que já conhecia bem Veneza, mesmo não sendo italiana. Ali passei a andar mais pela cidade e reconhecer ruas e vielas com mais facilidade. Reconhecer ruas não será uma dificuldade dentro uns dois dias, por isso a dica principal caso possível claro, é poder ficar no mínimo 4 dias. E já sabendo onde ir e como se locomover mesmo que caminhando. No caso de querer diversificar um pouco fica a dica para o vaporetto.

Não faça como eu e entre sem saber onde comprar o ticket, na ida a Piazza San Marco não tive problemas mesmo não tendo pago, mas na volta… não sabia que antes de entrar tinha uma cabine onde se compra os tickets achei que fosse direto no vaporeto. Resultado, na volta ao navio, entraram dois senhores com uma cara não muito boa e começaram a pedir os tickets. Olhei para a cara dessa minha namoradinha e pensamos: “…é agora complicou…” nos tiraram do vaporetto e tivemos que pagar uma multa de mais de cem euros já contando as entradas. Foi um passeio ótimo com um final dramático, mas que gerou boas risadas. Ate hoje quando nos falamos implico com ela dizendo que não conhece tao bem Veneza assim.

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(Piazza San Marco – Veneza)

O mais legal de ter chegado a Piazza San Marco, foi ter chegado numa época que não era quente e chovia bastante. Pude passear bastante por ali, entrar na Basílica de San Marco sem muita fila. Lembrando que, se eu era tripulante imagina a quantidade de turistas saindo e entrando na praça todos os dias. Um media de 2 mil passageiros, deixa quase inviável a visita. Por isso dei sorte de estar chovendo. E o mais engraçado foi ter que atravessar o miolo da praça por uma espécie de passarela de madeira, para não ser engolido pela água. Em dias de chuva forte, a praça fica inundada. Mesmo estando todo molhado, consegui ver todas as mascaras venezianas tão conhecidas. Elas brilham, tem penduricalhos e na maioria das vezes as mascaras tem a feição seria. Chega a arrepiar de tão contraditório.

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(Essa imagem é a que mais me marcou, pois parecia mesmo que tinha voltado no tempo)

Uma outra dica para quem gosta de arquitetura é quando subir ao vaporetto, percorrer o trajeto mais longo possível. Podendo ver construções do século XV, XVI e com um glamour que parece não ter perdido seu timing. No percurso de vaporetto ou mesmo em uma gôndola, o romantismo paira no ar, e mesmo sendo meio salgado o preço, vale a pena subir e apreciar. Só não se esqueça de pagar antes de subir.

 

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