Terra do bispo Francisco e com estilo muito próximo ao europeu, Buenos Aires toma um lugar de verdadeira importância na America do sul. Aproxima-se a São Paulo e Cidade do México em tamanho, população e claro, qualidade de vida. Caminhar pela cidade, tomar um belo café, comer os famosos alfajores e sem esquecer-se de ir ao show de tango tão conhecido mundialmente.

Chega a ser irônico como que os países da America do sul conseguiram sua independência sincronizados, ou quase. Obrigado Napoleão que deu uma mãozinha. No caso da Argentina, sua independência ocorre no começo do século XIX já com sua maior cidade, forte economicamente e culturalmente. Em 1910 ano de celebrar os 100 anos da revolução, a cidade teve seu boom de desenvolvimento. A cidade cresceu e como as nossas grandes cidades trouxe consigo a pobreza, principalmente nos últimos anos com a recessão do país. Lembro que a primeira vez que estive em Buenos Aires, a cidade era bem limpa e não havia problemas em caminhar pelas ruas. Hoje em dia não se pode dizer o mesmo.

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(Não sou muito de me prender a datas, mas achei importante datar algumas das mais importantes, pois contam bem o começo do país e também da Sul America)

Como já disse anteriormente, trabalhei embarcado e minha primeira vez em Buenos Aires foi com uma colega de trabalho. Foi bem divertido, para começar tomamos um táxi e tivemos que negociar a corrida (nunca digam corrida, tudo bem que argentinos estão acostumados com os brasileiros, mas não digam isso, quer dizer ato sexual e não vale arriscar com los hermanos). O senhor muito simpático, nos levou a lugares que não fazia ideia que eram tão bonitos.

Começamos pela Avenida 9 de julho, e com calma para entender tudo que dizia íamos parando e sacando fotos e rindo bastante. Essa avenida tem vários atrativos interessantes entre elas o concorridíssimo teatro Colon. Muito clássico e cheio de adornos, enorme, com cores fortes por dentro e uma acústica que está classificada entre as 5 mais do mundo. O obelisco, junto à própria avenida compõe um cenário que com toda certeza já foi visto em alguma capa de revista de viagens. Ambos tiveram sua construção iniciada na década de 30 em comemoração a independência, a avenida por sinal é chamada assim por conta de sua data 9 de julho de 1816.

Fui a praça de maio, e tirei umas das fotos mais conhecidas em minha casa. Digo isso porque o país é sem duvida sonho de consumo da minha família, poder caminhar e passear deixou a foto nostálgica. Tirei uma foto em frente a casa rosada, com uma arquitetura esplendorosa e palco de “Evita”. Na mesma praça encontram-se a catedral metropolitana e o banco da nação. Uma praça bem típica, larga, espaçosa e de fácil acesso.

(Casa Rosada e interior da Catedral)

Passei pelo conhecidíssimo bairro de Recoleta, mais uma vez com calma, já que o senhor motorista, por mais que eu falasse espanhol, falava muito rápido e eu ainda tinha que traduzir algumas coisas para essa colega. Um surto de febre amarela atacou o outro bairro da cidade chamado San Telmo, fazendo com que o bairro crescesse e trouxesse consigo a arquitetura francesa tão evidente no antigo bairro. Aqui encontra-se o Cemitério da Recoleta, outra vez (para quem leu minhas outras postagens), vão dizer que é mórbido. Mas, cemitérios pelo mundo são muito bonitos. Esse em especial que conta com inúmeros restos mortais de pessoas relativamente importantes em âmbito nacional, incluído Evita Perón.

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(Túmulo de Evita Perón)

Uma serie de obras de arte transformam o cemitério em um museu a céu aberto. Não é fácil encontrar o tumulo, por isso pergunte para alguém na entrada e eles farão sua vida mais fácil. Do lado de fora do cemitério, comprei um mapa de couro do país lindo, todo colorido, cheio de detalhes e com uma figura como se fosse uma estampa pintada de Caminito, no canto direito junto à base do mapa e paguei apenas 10 dólares (chorados é verdade). Como um bom brasileiro e fanático por futebol, pedi ao agora querido motorista para nos levar ao bairro La Boca. Nesse dia não quis arriscar, pois já passava das 15 horas e o bairro não é dos mais calmos. Não entrei no estádio, mas tive a oportunidade de entrar numa loja em frente recheada de artigos e curiosidades do país. Dali, seguimos em direção a Caminito.

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(Caminito – Buenos Aires – Argentina)

Fomos muito afortunados nesse dia, é verdade que artistas posam seus trabalhos pelas calçadas de Caminito. Mas, o que não me contaram é que é possível assistir a um tango, literalmente no meio da rua. Foi um show enorme, com pessoas parando e tirando fotos. A senhora com o vestido longo e vermelho, rasgado nas pernas e com um salto incrivelmente alto. O senhor com seu elegante terno, e movimentos tênues fizeram sua parte com genialidade. Tivemos muita sorte. Desde a década de 50, Caminito se transformou em um lugar do popular tango do inicio do século e deu origem ao nome, as cores tão vivas foram trazidas das sobras do porto. Um bairro típico italiano, que se transformou em argentino, e que hoje trás turistas de todas as partes do mundo. Inclusive nós brasileiros.

Antes de voltar para o navio, tive um tempo livre e corri para o Café Tortoni. Tido por muitos “hermanos”, como uma lenda e muito bem localizado perto de hotéis e principais avenidas. A decoração é fora de serie, a primeira vista lembra muito a Confeitaria Colombo no centro da cidade do Rio de Janeiro. Carlos Gardel, o mais famoso cantor de tango prestigiou o café ainda no inicio do século. Assim como levo amigos e turistas que ainda não conhecem a Colombo aqui no Brasil, esse café merece destaque também la fora. Vale a dica.

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(O que fazer em buenos aires ? Café Tortoni )

Falando em Gardel, para fechar bem o dia um show de tango original em uma boa casa de tango. Em qualquer hotel você encontrará panfletos sobre os shows de tango. Os melhores e nem tão caros, surpreendentemente, são os que oferecem bebidas e até mesmo refeição (pode ser petiscos também). Señor Tango e Carlos Gardel são os mais procurados. Observem bem o que incluem e se o fazem mesmo. O show já vale, mas se puder desfrutar do show tomando um bom vinho, tornará a cereja que faltava.

Pra quem puder passar mais alguns dias na cidade, não perca a oportunidade de passar pelo Jardim Japonês. Cheio de plantas, lagos e pequenas cachoeiras para te levarem ao mais próximo do mundo oriental. Exposições e um restaurante estão sempre a disposição. Essa dica também leva o selo Guias & Trilhas.

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