A Croácia com seu território em forma de ferradura teve um passado recente, no mínimo conturbado. Um país maravilhoso e que com a ajuda da Alemanha que incentivou, e claro que vai cobrar depois por toda essa boa vontade, se vê hoje como um dos países mais procurados do mundo. Quando disse conturbado, não estava exagerando. Começou um conflito de separação de território com a Iugoslávia no começo dos anos 90, e só teve seu fim tido como certo em 1998.

Foram anos de guerra e muito sangue derramado. Tive a oportunidade de ir a Vukovar, e ali respirei guerra. Por todo o país se pode ver pequenas memórias de guerra, mas nessa cidade em especifico se respira guerra, com todos os buracos de balas em edifícios e casas. Em Dubrovnik, se tiver a oportunidade de passear com um guia local, descobrira que a cidade é um forte. Esse forte tão imponente também sofreu suas avarias e mesmo se tornado um estado livre, teve que arcar com algum prejuízo.

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(Feirinha no centro histórico)

Um país que teve um passado muito conturbado, seu poder mudou de mãos por inúmeras vezes. Otomanos, húngaros, romanos, búlgaros, ate venezianos beliscaram um pouco dessa terra. A Dalmácia e o mar Adriático, tiveram grande importância na historia do país. Dubrovnik teve suas fazes e se tornou independente junto a um tratado com o rei da Hungria. Teve sua derrocada já no século XIX com a chegada de Napoleão. Um estado que se desenvolveu e que tinha um método de governo intrigante que mudava de 2 em 2 meses. Uma política liberta e que contava com uma frota de mais de 500 navios em seu apogeu, contou com seu ponto estratégico de rota de comerciantes e conseqüentemente cultural para seu fortalecimento.

Durante a guerra da antiga Iugoslávia, varias bombas e mísseis caíram sobre a cidade. O turismo que hoje engrandece, há vinte anos deixou de existir. Lembro como se fosse ontem, minha primeira vez na Croácia. Ou melhor, nessa cidade que fica mesmo marcada na lembrança de cada turista. Antes da minha chegada ao centro histórico, parei no porto e não pude ver a chegada com os olhos dos turistas que chegam via aeroporto. A chegada é espetacular com todos seus penhascos e vista deslumbrante. A água que lentamente muda de cor. A pedra calcaria da um tom esmeralda, principalmente na troca de estações.dubrovnik 4

Eis que vi a cidade de cima. Foi inacreditável, saber que uma cidade tão medieval ainda estava ali, parada, praticamente intacta esperando por mim. É engraçado ver de fora que os turistas não se preocupam nem um pouco com os hotéis de luxo que rodeiam a cidade. Querem mesmo é se deliciar com a loucura do centrinho. Esse centro cercado por uma muralha incrível, e que se vale a dica, não caminhar por ela em dias de muito sol sem pelo menos uma proteção.

Faz muito calor na cidade e caminhar pelas muralhas, pode não trazer a alegria que esperamos se não tivermos a proteção certa. É engraçado ver de cima das muralhas as ruelas e pensar que esta caminhando por Veneza. A Dalmácia foi tomada por Veneza nos séculos antecedentes e isso torna mais visível a lembrança. Cada janelinha, cada porta, cada plaquinha nas paredes lembram muito a Veneza. Torna a cidade ainda mais charmosa, pois mescla a beleza veneziana com as pedras que cobrem as construções croatas.

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(centro histórico – sob influencia veneziana)

Alem de caminhar por ruelas e muralhas, a cidade ainda guarda muitas surpresas. Uma delas é a água. Há fontes de água por toda a cidade histórica e não se acanhe em se inclinar, por as mãos juntas e saborear dessa água incrivelmente refrescante. Tem gente que não acha legal tomar direto da fonte, então dou outra dica. Tome um sorvete, mesmo que o dia não esteja ensolarado. Eles tem uma variedade imensa de sorvetes e são muito, mas muito saborosos. Próximo a Fonte de Onofrio, tem uma sorveteria. Passem por lá e peçam a um dos meninos, terá sem duvida um show de flair com bolinhas de sorvete.

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(Fonte de água)

Quando entrei pela cidade pela primeira vez, entrei pelo portão Pile, que é uma das entradas principais. Não conhecia nada da cidade e pedi informação a um guia local que estava com um grupo. Sei que fui bem intrometido, mas queria mesmo saber o que era aquela estatua encima do arco de entrada. Era São Blásio, padroeiro da cidade. Entrando, tomei um susto. É normal em esquinas e pontos estratégicos da cidade, ver pessoas vestidas como se estivessem na época medieval. Tomei um susto, pois havia um garoto muito magro vestido de roxo, com um chapéu de bobo da corte, fingindo tocar violino. Valeu o susto e com certeza uma bela lembrança. Não imaginava. Passei pelo garoto e logo na entrada avistei a fonte. E segui os olhos pelo piso da cidade. Como cheguei bem cedo, não havia muita gente caminhando e pude ver com clareza o espelho que se formava naquele piso. O brilho que chega a cegar. Parece mesmo que enceraram o chão da cidade a noite toda. O brilho me deixou tão abismado, que quase não percebi que em frente à fonte, estava à igreja de são Sávio.

Caminhei um pouco mais e tive a felicidade de visitar o Mosteiro Franciscano.  O mosteiro datado do inicio do século VIV, teve de ser reconstruído após o famoso terremoto de 1667, seu interior é magnífico e sem duvida vale a visita. Lembro de ter passado por uma fonte e uma laranjeira. Aquela arvore com a fonte formaram uma típica vista croata. Pedra e natureza. Lindo por sinal. Junto ao mosteiro, esta a farmácia que é uma das mais antigas do mundo. Abriu suas portas no inicio do século XIV e segue até hoje em funcionamento. Toda estilizada, diga-se de passagem, e parece que voltamos no tempo ao entrar.

Quase em frente encontramos a praça central. Rodeiam a praça, o Palácio do Reitor e a Torre do Relógio, além da Igreja de San Blásio. O Palácio do Reitor foi o centro político e administrativo da região, dentro se pode ver em grandes salões as pinturas, moveis e um pouco da historia da cidade. Sempre promovendo eventos e festivais com muitas pinturas e grandes artistas. A torre do relógio, era utilizada como sirenes para avisar aos moradores de possíveis perigos hoje em hora apropriada tocam-se os sinos e é um verdadeiro alvoroço em frente a torre. A Igreja de San Blasio, conta com muitas obras em estilo barroco e uma estatua do padroeiro em prata no altar principal.

Mais uma dica muito valida e que acredito ser muito importante. Ou melhor, duas. Dependendo é claro do numero de dias que ficará. Eu tive muito tempo então não sou parâmetro, mas se for passar dois dias já será o suficiente para desfrutar bem desse lugar incrível.

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(um pouco das ruelas, nessa rua de cima ficam ótimos restaurantes)

A primeira é fazer um passeio as ilhas próximas ao centro histórico. Tem barcos motorizados que fazem o trajeto e não são caros. Chegando a ilha você se encanta, com sua vegetação e água cristalina. Se procurar bem nas ilhas, há barzinhos ou restaurantes que deixam seu passeio mais agradável. Saber que tem onde comer e onde usar um banheiro, em uma ilha semidesértica é muito importante. Conselho de amigo mesmo, ir a esse passeio.

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A outra dica é subir ao teleférico que fica atrás das muralhas e lá de cima apreciar a vista ainda mais bonita da cidade. Poder ver os telhadinhos laranjinhas no final de tarde, sacando fotos de botar inveja em qualquer um valem a visita. E não seria melhor se no final da tarde para a noite, pudesse sentar em um dos milhares restaurantes e comer uma boa comida. Escolher sem se preocupar, e pedir o arroz preto tomando uma bela taça de vinho local. Bem eu não bebo, mas vi na feição de quem estava comigo que estava nas alturas com a combinação.

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(funicular e a frente da cidade a ilha)

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